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ATO INSEGURO - Por que os trabalhadores NÃO respeitam as regras?



Você está cansado de ver pessoas não utilizarem o EPI ou não seguirem um procedimento de segurança, mesmo após ter recebido um treinamento ou participado de um DDS?


De acordo com pesquisas, cerca de 80% a 90% dos acidentes de trabalho ocorrem por conta de atos inseguros.


Descubra porque as pessoas cometem atos inseguros e aprenda a fazer com que os trabalhadores se conscientizem de verdade sobre a importância de se cumprir normas e procedimentos de segurança do trabalho.




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Desde a revolução industrial, o mundo tem visto um aumento na quantidade e na variedade de máquinas e equipamentos e, com isso, um aumento também no número de acidentes e mortes no local de trabalho.


A segurança do trabalho surgiu a partir da necessidade de se reduzir os altos custos, financeiros e humanos, causados por estes acidentes.

Os primeiros passos para um ambiente de trabalho mais seguro foram dados pela chamada "Era da Engenharia", que forneceu tecnologia para projetar máquinas e equipamentos “menos perigosos”.


Em seguida, as empresas voltaram sua atenção para o desenvolvimento de procedimentos e regras de controle.


Após, veio a implantação de equipamentos de segurança (individual e coletivo), que acrescentaram uma camada a mais de proteção aos trabalhadores.


Nesta época, o EPI ainda era considerado uma das medidas de controle mais importantes. Hoje, como sabemos, o EPI é considerado a última opção para controle de risco (OHSAS 18.001).


Obs: Embora o fornecimento do EPI deva ser a última opção, muitas pessoas ainda hoje acreditam que esta é a primeira.



ATACAR ATOS INSEGUROS: O NOVO DESAFIO DAS EMPRESAS


A evolução da segurança do trabalho resultou em um forte impacto no ambiente de trabalho industrial, ocasionando uma redução significativa de perdas.


No entanto, em meados dos anos 1970, a principal causa dos acidentes passou a não estar mais relacionada à falha de equipamentos, mas sim, problemas relacionados ao comportamento humano (ato inseguro).


Para isto, estudos sobre o comportamento humano no ambiente de trabalho começaram a ser desenvolvidos, e o método BBS - Behavioural Based Safety, ou Comportamento com Base em Segurança, foi o mais adotado.


Basicamente, este método visava dar treinamentos sobre segurança às pessoas e estimulá-las a não cometerem ato inseguro, através de técnicas de reconhecimento e recompensa.


Ou seja, além de treinar as pessoas sobre os riscos da atividade ao qual elas estavam expostas, as empresas premiavam aqueles indivíduos que trabalhassem com segurança. Porém, caso este cometesse algum atos inseguro, sofreria penalizações.


Verificou-se que, a curto prazo, os resultados obtidos com o método BBS eram excelentes. Entretanto, a médio e longo prazo, as pessoas voltavam a cometer ato inseguros. Mas por que?


A explicação dada foi para a habituação humana, ou seja, a tendência que temos de nos habituarmos ao nosso ambiente e aos estímulos que nos rodeiam.


Habituação é a razão pela qual as pessoas que voam de avião, depois de certo tempo, não ficam mais incomodadas pelo ruído dos motores. E é por conta da habituação também que nós não ficamos pensando a todo momento nas roupas que estamos vestindo. É como se nosso cérebro entrasse em um “modo automático”.


Trazendo para o campo da segurança, o que costuma ocorrer por conta da habituação é uma diminuição na percepção dos riscos da atividade que o trabalhador está executando, aumentando assim as chances de ocorrência de um acidente.


Portanto, não basta apenas realizar treinamentos e dar recompensas às pessoas por agirem com segurança, pois, depois de certo tempo, estas se habituam às regras existentes no local de trabalho. É necessário algo a mais.

SEGURANÇA SÓ É VISTA COMO IMPORTANTE SE TODOS ESTÃO ENVOLVIDOS


Em meados de 1990, novos estudos foram feitos para tentar explicar o comportamento humano no ambiente trabalho.


O que estes estudos apresentaram foi que não adiantava trabalhar segurança apenas com os "operários". Era necessário que toda a empresa fosse trabalhada.


E por que?

A cada momento de nossas vidas, somos apresentados a um vasto número de informações. Processar todas estas informações seria desgastante mentalmente. Por isso nós, seres humanos, centramos nossa atenção para o que é mais relevante.


O cérebro usa uma série de processos para tentar “filtrar” de forma eficaz todas as informações ao qual somos expostos. Um mecanismo chave para isto é conhecido como SAR - Sistema de Ativação Reticular, que é responsável por controlar quais informações devem ser atendidas e quais devem ignoradas.


Se o SAR do indivíduo não estiver bem “calibrado” para compreender que segurança é importante, este acaba não permanecendo plenamente atento aos riscos de suas atitudes.


Porém, se a segurança é intitulada como prioridade na empresa, o SAR do indivíduo passa a ficar mais aguçado, e consequentemente, o indivíduo passa a processar constantemente a informação de que segurança é "importante e relevante”.


Compreender o SAR é muito importante para a gestão da segurança, pois nem sempre as pessoas cometem atos inseguros de forma consciente.


E COMO O COMPORTAMENTO É INFLUENCIADO?


Assim como as influências que tivemos no passado (de familiares, amigos, professores, etc), serviram para moldar quem somos hoje, de forma parecida ocorre no ambiente de trabalho, onde as pessoas também sofrem influências que justificam os seus comportamentos.


O que este estudo mostrou foi que as influências ocorrem da seguinte maneira:


. Aprendizagem: treinamentos adequados aos trabalhadores


. Empresa: Normas e procedimentos internos que garantam o trabalho seguro


. Liderança: A liderança deve estar comprometida com a segurança e dar sempre o exemplo. Não adianta dizer aos subordinados que eles devem utilizar os EPIs se o supervisor tem o hábito de circular sem capacete.


. Equipe de trabalho: É necessário que todo o grupo receba orientações e treinamentos de maneira uniforme.


O modelo sugere que se os fatores aprendizagem, empresa, liderança e equipe de trabalho forem trabalhados de forma conjunta, você "mexerá" com as crenças e valores das pessoas, e os resultados em segurança serão muito melhores.

FASES DA MUDANÇA DE COMPORTAMENTO


Os psicólogos Dr. James Prochaska e Dr. Carlo DiClemente descobriram que, ao alterar o comportamento das pessoas, estas obrigatoriamente progridem através de uma sequência de cinco fases.



Fase 1: Na pré-contemplação, o indivíduo não pretende mudar seu comportamento. Ele não está ciente de que o seu comportamento é problemático e entende que os "benefícios" de não agir com segurança (ganho de tempo, por exemplo) superam as desvantagens.

Fase 2: Na contemplação, o indivíduo desenvolve a intenção de mudar o seu comportamento em algum momento no futuro. Nesta etapa, a pessoa entende que os "benefícios" de não agir com segurança são iguais às desvantagens.

Fase 3: Na fase de preparação, o indivíduo tem a intenção de mudar seu comportamento no futuro próximo. Durante esta fase, os indivíduos estão preparados para agir com segurança, pois já enxergam que os prós de mudar o seu comportamento superam os contras.

Fase 4: Na fase de ação, o indivíduo age para modificar seu comportamento.


Fase 5: Na fase de manutenção, o indivíduo consolida os ganhos da fase de ação, de modo a reduzir o risco de recair em comportamentos de estágio anteriores.

CONCLUSÃO

É possível perceber que a tendência da segurança do trabalho para os próximos anos é de um olhar mais voltado ao comportamento, já que os equipamentos e máquinas estão cada vez mais seguros.


Embora dar treinamentos e premiar trabalhadores em função de suas atitudes apresente resultados interessantes a curto prazo, mudar o padrão de pensamento dos trabalhadores com relação à importância e aos valores sobre segurança é fundamental para a prevenção de acidentes de trabalho.


O modelo proposto incorpora tanto abordagens a nível de liderança quanto abordagens a nível operacional, combinando-os para moldar os padrões de comportamento das pessoas.


Ou seja, este trabalho não deve ficar restrito somente a um ou outro indivíduo. Para construir uma gestão de segurança mais rica e mais sustentável é necessário que todos da empresa participem.


Tentar decifrar a razão por traz dos ato inseguro não é uma tarefa tão fácil, porém, é o grande desafio para nós prevencionistas.



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Espero que tenham gostado.


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