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  • William Salles

O caso de ESTUPRO que está agitando a SEGURANÇA DO TRABALHO


Em março de 1964, tarde da noite, numa quinta-feira fria e úmida, algo terrível aconteceu na cidade de Nova York, coisa tão hedionda a ponto de sugerir que os seres humanos são as criaturas mais brutais e egoístas que já perambularam pelo planeta Terra.


Uma mulher de 28 anos, Kitty Genovese, dirigia para a casa de volta do trabalho e estacionou o carro, como de costume, numa vaga perto da estação Long Island Road em Nova Iorque. Ela morava em Kew Gardens, Queens, a mais ou menos 20 minutos de trem de Manhattan. Era um bairro bom, com casas bem dispostas, em terrenos arborizados, alguns edifícios de apartamentos e um pequeno distrito comercial.


Genovese morava em cima de uma fileira de lojas, de frente para a Austin Street. A entrada para o apartamento dela era pelos fundos. Ela saltou do carro e o trancou; quase imediatamente, um homem a perseguiu e a esfaqueou nas costas. Genovese gritou. O assalto ocorreu na calçada, em frente às lojas de Austin Street, onde, do outro lado da rua, se erguia um edifício de apartamentos de dez andares, chamado Mowbray.


O assaltante, cujo nome era Winston Moseley, correu para o carro dele, um Corvair branco, estacionado junto ao meio-fio, a uns 60 metros de distância. Deu marcha a ré no carro e desceu a rua, sumindo de vista.


Genovese, enquanto isso, levantou-se às tontas e cambaleou até o edifício dela. Mas, em pouco tempo, Moseley voltou, estuprou-a e esfaqueou-a de novo, deixando-a à morte. Em seguida, pegou o carro e voltou para casa. Como Genovese, ele era jovem, 29 anos, e também morava no Queens. A esposa dele era enfermeira credenciada: o casal tinha dois filhos. A caminho de casa, Moseley viu outro carro parado diante da luz vermelha do semáforo. O motorista dormia ao volante. Moseley saiu do carro e acordou o homem. Ele não o machucou nem o roubou. Na manhã seguinte, Moseley foi para o trabalho como sempre. Mais tarde, Moseley foi preso em flagrante furtando uma TV. Logo após confessou que estuprou e assassinou Kitty Genovese (LEVIT; DUBNERT, 2010, pp. 89-90).


O estupro e assassinato de Kitty Genovese ficou famoso na mídia internacional. Não pelos requintes de crueldade ou pela brutal forma de execução. Mas pelo fato de o crime ter ocorrido diante de diversos espectadores. O homicídio foi assistido por aproximadamente 38 testemunhas inertes, apáticas, que não realizaram qualquer ação para evitar o crime, cuja execução durou cerca de 35 minutos.


O New York Times publicou um artigo sobre o tema que possuía o seguinte prólogo:

“Durante mais de meia hora, 38 cidadãos respeitáveis, cumpridores da lei, no Queens, viram um assassino perseguir e esfaquear uma mulher, em três investidas separadas e sucessivas, no Kew Gardens... Ninguém chamou a polícia durante o assalto; uma testemunha telefonou depois que a mulher estava morta ...”


A inação das testemunhas foi justificada de diversas formas, dentre elas: (I) achamos que era briga de namorados; (II) fomos até a janela para ver o que estava acontecendo, mas a luz de nosso quarto dificultou a visão da rua ou (III) eu estava cansado e voltei para o quarto. Parece absurdo, mas as justificativas estão insertas em um fenômeno que pode ser chamado de “efeito espectador” (bystander effect) ou “síndrome de Genovese”.



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E QUAL A RELAÇÃO DESTE CASO COM A SEGURANÇA DO TRABALHO?

A síndrome de Genovese pode ser explicada pela apatia dos espectadores em situações de perigo quando o fato está sob a observação de diversas pessoas.


No dia-a-dia nas empresas, diversos acidentes poderiam ser evitados se, aos serem observados comportamentos inseguros ou condições inseguras, estas fossem bloqueadas imediatamente por alguém que tivesse observado a situação.


Mas por alguma razão, a síndrome de Genovese também ocorre no campo da segurança do trabalho, onde muitos trabalhadores, mesmo observando que o colega de trabalho está se arriscando em uma determinada tarefa, seja não utilizando o capacete, não realizando o bloqueio de energia de um equipamento, ou trabalhando a mais de 2m de altura sem o cinto de segurança, "fecham os olhos" num ato de permissão para que o companheiro arrisque sua vida.


Vale dizer que, quanto mais pessoas presentes, maiores as chances de que ninguém aja, na expectativa de um compartilhamento de responsabilidade – ou seja, “não vou fazer nada pois isto é papel do profissional de segurança e do encarregado”.


Uma das razões que podem explicar este comportamento primeiramente é o receio de que a abordagem não seja bem recebida pela pessoa que está cometendo o “deslize”.


Segundo, nas situações em que as pessoas encontram-se sob o olhar de diversos espectadores, suas ações acabam sendo inibidas pelo receio de que suas condutas sejam avaliadas e julgadas, freando, assim, seu impulso de ação.


Em suma, é como se a multidão ou a presença dos outros inibisse o cometimento de atitudes altruístas, pelo receio de que sejam julgadas e consideradas tolas. Além disso, a presença de várias pessoas dilui entre o grupo o sentimento de responsabilidade com os próximos em situações de necessidade, diminuindo, assim, a presteza na prestação de socorro.


Efetivamente, pode-se concluir que Kitty Genovese não morreu por ausência de testemunhas, mas morreu exatamente porque haviam muitas testemunhas.


Este fenômeno social demonstra a grande sabedoria do aforismo popular segundo o qual “para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada”. Ou seja, na próxima vez que vir algum trabalhador em uma situação de risco ou de perigo, aja!! Não deixe para o próximo pois ele pode estar pensando a mesma coisa.


Difunda esta ideia em sua empresa!




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